Áreas de Atuação

Acervo técnico


O acervo técnico do IPHAN no Espírito Santo, localizado na sua sede, em Vitória, reúne documentação arquivística e bibliográfica associada à atuação deste Instituto na preservação dos bens culturais do Estado.

O acervo é especializado no patrimônio cultural de valor histórico, artístico, arqueológico, paisagístico e etnográfico, destacando temas nas áreas de História, Artes, Arqueologia, Arquitetura, Paisagismo, Museologia, Turismo, Antropologia, Cultura Popular e Legislação Cultural.

As atividades do Setor de Arquivo envolvem a organização, a supervisão e o controle das atividades de coleta, análise, processamento, armazenamento, disponibilização de documentos e informações relativas ao patrimônio cultural brasileiro, especialmente, aquele pertencente ao Espírito Santo.

A documentação arquivística, bibliográfica e iconográfica, contempla os suportes em mídias digitais, fotos, textos, livros, folhetos e na hemeroteca (arquivo de artigos em periódico), referentes à atuação do IPHAN e outras iniciativas na proteção, preservação e conservação dos bens culturais, sendo disponibilizada através de consultas agendadas.


Patrimônio Edificado


O universo dos doze edifícios tombados pelo IPHAN no Espírito Santo testemunha o processo de colonização do seu território, com o predomínio da arquitetura religiosa.

A proteção se inicia em 1940, pelo único exemplar de arquitetura rural de fins do século XVIII, em Vitória, com a Chácara e Solar Monjardim, sede da antiga fazenda Jucutuquara.

Depois, em 1943, vêm os três destacados conjuntos monumentais religiosos do século XVI: Convento da Penha, implantado pelos franciscanos sobre outeiros de elevada posição geográfica e relevância paisagística; Igreja de Nossa Senhora da Assunção e antiga residência anexa (hoje Museu) em Anchieta e a Igreja e residência de Reis Magos em Nova Almeida/Serra.

Os tombamentos seguintes estendem-se até 1970, quando se encerra a primeira fase de atuação do IPHAN no ES: 1946- Capela de Santa Luzia e as Igrejas de irmandades do Rosário e de São Gonçalo, localizadas em Vitória; 1950- a Igreja do Rosário de Vila Velha e a Igreja de Nossa Senhora da Ajuda, em Viana; 1967- dois sobrados do século XVIII, situados na cidade Alta, Vitória; 1970- igreja de Nossa Senhora
da Conceição de Guarapari.

A expectativa atual é a de complementar a proteção federal ao acervo jesuítico, incluindo as igrejas de Nossa Senhora das Neves em Presidente Kennedy e São João de Carapina em Serra; de estender essa proteção a sítios urbanos e rurais da cultura do café no sul do estado, a exemplo de Muqui, São Pedro
de Itabapuana, sedes de algumas fazendas e suas estruturas laborais; ao patrimônio natural, ao patrimônio da imigração europeia, dentre outros.


Bens Móveis Integrados


Os acervos protegidos de bens móveis do ES são constituídos predominantemente pelos objetos e imaginárias das igrejas tombadas, entre as quais se destacam as seiscentistas dos santos jesuítas Inácio de Loyola e Francisco Xavier. Parte destes acervos, acautelados por Resolução SPHAN de 1985, passaram por processo de inventário de conhecimento, principal instrumento de identificação e gestão desse patrimônio visando sua efetiva proteção.

Duas esculturas em madeira policromada, arte sacra do século XVI, são tombadas individualmente: a imagem de Nossa Senhora da Penha da Igreja do Rosário em Vila Velha e a imagem de Nossa Senhora da Conceição da Igreja de Nossa Senhora da Ajuda, em Araçatiba, município de Viana.

Entre os elementos de valor artístico, integrados à arquitetura, destacam-se a talha em madeira do retábulo de Reis Magos, concluída em 1701, e a pintura mural do altar da Igreja de Nossa Senhora da Assunção, em Anchieta, datada do século XVI.

À frente da pintura mural de Anchieta, até a última grande restauração do Santuário, ocorrida entre 2004 e 2007, ficava a talha em madeira do Retábulo de Nossa Senhora da Assunção, restaurado e exposto à direita da nave, numa das ações de conservação e promoção do IPHAN-ES, concluída em 2011.


Patrimônio Arqueológico


A legislação brasileira ampara todos os bens de natureza arqueológica em razão da sua própria existência, mesmo aqueles ainda não identificados e não cadastrados junto ao IPHAN. A Lei 3.924 de 1961 e a Constituição Federal de 1988 (artigo 20 – inciso X) garantem aos sítios arqueológicos, e a tudo que neles é encontrado status de “bens da União” e os protege de danos e destruição.

Estima-se que o número de sítios arqueológicos do Espírito Santo ultrapasse os trezentos, distribuídos por trinta e três municípios. A gestão do patrimônio arqueológico no Espírito Santo decorre principalmente dos impactos dos empreendimentos econômicos sobre o ambiente. O IPHAN autoriza as pesquisas arqueológicas e as ações de monitoramento e salvamento dos vestígios de populações pretéritas que possam ser afetados por estes empreendimentos, visando a sua preservação.

A ocupação pré-colonial de mais de seis mil anos tem sido conhecida através destas pesquisas realizadas a partir dos processos de licenciamento ambiental dos setores de energia, principalmente petróleo e gás, de pequenas hidrelétricas e alcooleiras, usinas siderúrgicas, estradas e grandes loteamentos.

Os estudos feitos até agora têm revelado aspectos das culturas de grupos eminentemente coletores e caçadores e de grupos de agricultores, através da identificação de sambaquis, de material lítico e artefatos cerâmicos, muitos dos quais de decoração variada e delicada.


Patrimônio Imaterial


Patrimônio Imaterial são práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas, associadas aos instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são peculiares. É transmitido de geração em geração, recriado pelas comunidades e grupos em função de seu ambiente, sua interação com a natureza e sua história, gerando um sentimento de identidade e continuidade.

Rico em expressões da cultura imaterial, o Espírito Santo é reconhecido por muitas destas manifestações enraizadas no cotidiano das comunidades.

São registrados como Patrimônio Cultural do Brasil o Ofício das Paneleiras de Goiabeiras, em Vitória e o Jongo no Sudeste, no qual se inserem os grupos capixabas em atividade.

O Ofício das Paneleiras de Goiabeiras, de herança indígena, foi o primeiro registro do Patrimônio Imaterial do Brasil, inscrito no Livro dos Saberes, em 2002.

O Jongo, expressão afro-brasileira em festas de santos católicos, Juninas, Divino e da abolição da escravatura, praticado nas periferias urbanas e comunidades rurais do sudeste, foi inscrito no livro das Formas de Expressão em 2005.

O IPHAN, com a participação dos detentores destes patrimônios e entidades públicas e civis atua na salvaguarda destes bens, inclusive os disseminados por todo o território brasileiro, como a capoeira, e na identificação e reconhecimento das referências de outros grupos e comunidades, como dos quilombolas do Sapê do Norte, dos Guranis e recentemente, dos imigrantes europeus, do século XIX.


Patrimônio Natural


O patrimônio natural do Espírito Santo é rico em formações rochosas de valor paisagístico. Há as antropomorfas e zoomorfas, como “o Frade e a Freira”, a “Pedra do Elefante” e a “Pedra do Lagarto”; aquelas de belas formas e volumes, como o Penedo, o Mochuara, a Pedra Azul, o Forno Grande, o Itabira e o Monte Agá; e o impressionante conjunto dos Pontões Capixabas, nos municípios de Pancas e Águia Branca.

Muitos desses bens são tombados pela instância estadual ou contam com a proteção dos órgãos de meio ambiente.Remanescentes já raros de mata atlântica, constituídos em unidades de conservação ambiental, preservam uma flora e uma fauna com grande diversidade de espécies, objetos da atenção de naturalistas europeus desde os tempos coloniais.

No século XX, o ilustre estudioso, Augusto Ruschi, um dos pioneiros do movimento ecológico no Brasil, neto de imigrantes italianos radicados em Santa Teresa, funda o Museu de Biologia Melo Leitão.

Estudos e pareceres, visando à proteção de bens do patrimônio natural pelo IPHAN no Espírito Santo, tratam da relevância de alguns sítios, como um jardim natural de orquídeas, o “Jardim das Gutattas”, área de concentração de mais de vinte e cinco espécies da família das gutattas, localizado na faixa litorânea do município de Linhares, que abre caminho para o tombamento federal destes bens. Da mesma forma, deve-se reconhecer como "Paisagem Cultural Brasileira" outros sítios de excepcional valor pelo modelos harmoniosos de convivência de diferentes etnias e grupos formadores da sociedade brasileira com sua rica diversidade geológica e biológica.

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